Banco Master arrasta STF de forma inédita para o centro da crise e eleva tensão em Brasília e SP

As investigações contra o Banco Master, liquidado em novembro pelo Banco Central, arrastaram de forma inédita o STF (Supremo Tribunal Federal) para o centro de uma crise em que um de seus integrantes é criticado, pela primeira vez, não por seu papel de moderador e julgador —mas como protagonista de acusações de supostas irregularidades.

O contrato de R$ 129 milhões do escritório de advocacia de Viviane de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, com o Banco Master, por um trabalho ainda não esclarecido, deixa um ponto de interrogação que, na leitura de outras autoridades, afeta a imagem do magistrado. E, portanto, a do STF, do qual Moraes é hoje a figura mais emblemática.

Há uma percepção de que o caso Master tem potencial para se transformar em um escândalo de grandes proporções, alcançando integrantes do Legislativo, personagens próximos do Executivo — e agora, pela primeira vez, arranhando a imagem do Judiciário.

Ministros e integrantes de escalões diversos do governo Lula se mostram preocupados com a erosão da imagem de Moraes e um abalo, por extensão, na credibilidade do STF. Eles reconhecem a importância do tribunal, e especialmente de Moraes, na preservação da democracia brasileira e se preocupam com as consequências, para a mesma democracia, de um processo de descredibilização do STF.