O prefeito de Viamão foi condenado por um crime brutal: expôs, em público, gravações íntimas de uma mulher com quem se relacionava. Fez isso em uma festa, com aliados políticos, com som alto, com intenção de vingança. Uma vingança não contra ela, mas contra o ex-marido dela, seu desafeto político.
E mais: tentou corromper testemunhas oferecendo cargos públicos. Foi condenado a mais de 6 anos de prisão por unanimidade do TJRS em regime fechado. Mas está em liberdade. Vai recorrer solto.
Esse caso escancara a violência política de gênero. E não, ela não acontece só com mulheres eleitas. A violência política de gênero é também o uso da força, do cargo e do poder para humilhar, expor e silenciar mulheres como forma de atingir adversários ou se afirmar como homem de poder.
É a lógica da misoginia como estratégia política. E essa lógica tem nome: patriarcado.
O que o prefeito cassado de Viamão fez não foi só um crime individual. Foi um ato político, num ambiente político, com testemunhas políticas. E ainda assim, ele segue ocupando o cargo de prefeito enquanto a vítima diz que não consegue sequer entrar na cidade.
A justiça precisa ser mais rápida para proteger as mulheres do que para garantir a liberdade dos homens violentos.
Dizem que há outros crimes feitos pelo depravado, viu?



