Demissão de docente da PUCRS mobiliza juristas e entidades de classe e terá ato nesta terça (11)

Manifesto em apoio a José Carlos Moreira da Silva Filho reúne mais de 400 adesões em defesa da liberdade de cátedra

A demissão do professor José Carlos Moreira da Silva Filho, conhecido carinhosamente por Zeca, da Escola da Universidade Catóglica do Rio Grande do Sul (PUCRS) provocou uma mobilização de pesquisadores, juristas, organizações de direitos humanos e movimentos sociais no Brasil e no exterior. Nesta terça (11), apoiadores vão realizar um ato em frente à PUCRS contra o desligamento e em defesa da liberdade de cátedra.

O ato está marcada para as 18h, em frente ao prédio 11 da PUCRS, em Porto Alegre, com início previsto do ato de protesto às 18h30. Na convocação, os organizadores afirmam que a demissão ocorreu “após ter sua liberdade de cátedra censurada e classificam o episódio como “um grave ataque à autonomia acadêmica, ao debate de ideias e à liberdade de ensino“.

No manifesto, os signatários destacam a trajetória do professor dedicada aos direitos humanos, à memória, à verdade e à justiça de transiçao, além da produção científica e da formação de pesquisadores. Silva Filho é bolsista de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e vice-presidente da Comissão de Anistia, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Desligado no primeiro dia de aula

Em entrevista à Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (AdUFRJ), Silva Filho afirmou ter recebido com surpresa a notificação da demissão, ocorrida na segunda-feira (3). “Fui desligado no primeiro dia de aula do segundo semestre de 2026, após ter elaborado todos os planejamentos de turmas que haviam sido a mim atribuídas”, relatou.

O professor também mencionou a participação, em 10 de junho, em um evento sobre democracia e soberania, no qual dividiu a mesa com então pré-candidatos de esquerda às eleições de 2026. Silva Filho não afirmou haver relação comprovada entre o episódio e a demissão, mas disse não identificar motivos que justificassem o desligamento.

Lamento essa decisão, pois, além de afetar a mim e a minha família, ela representa uma subvalorização da dedicação à vida acadêmica, da pesquisa e dos valores universitários”, declarou à AdUFRJ.