Consultoria norte-americana eleva de 70% para 80% as chances de Flávio vencer no segundo turno; enquanto isso, a probabilidade de Lula virar o jogo caiu de 30% para 20%
A Eurasia Group (conhecida como Eurasia Consultoria) é a maior empresa do mundo especializada em análise e consultoria de risco político.
Após liderar as pesquisas para o primeiro turno e acabar em segundo lugar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai ter bastante dificuldade para reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais, em 25 deste mês. De acordo com análise da consultoria norte-americana Eurasia Group, divulgada na última sexta-feira (9/10), as chances de Flávio vencer Lula subiram de 70% para 80%.
A instituição destacou que as primeiras pesquisas de opinião mostram o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à frente do petista por uma margem de 4,0 a 6,0 pontos percentuais – acima das estimativas iniciais da consultoria, de 3,0 a 4,0 pontos percentuais, com base na distribuição dos votos dados a candidatos alternativos. “O Partido dos Trabalhadores (PT) precisa de uma campanha altamente eficaz contra Bolsonaro, de uma mensagem de mudança mais incisiva e de um bom desempenho nos debates para virar o jogo a favor de Lula”, destacou o relatório enviado aos clientes e assinado pelo diretor-gerente para as Américas da Eurasia, Christopher Garman.
“Embora uma reversão da vantagem de Bolsonaro parece muito improvável, as pesquisas podem mostrar uma disputa mais acirrada nas semanas que antecedem o segundo turno”, acrescentou o relatório. Conforme os dados da Eurasia, Lula enfrenta um desafio árduo para vencer a eleição, com probabilidade de vitória de 20%, abaixo dos 30% anteriores.
O relatório citou, por exemplo, a pequisa Datafolha, que mostrou a vantagem de Flávio com quatro pontos, enquanto os levantamentos AtlasIntel e PoderData indicavam 5,6 e 6,0 pontos percentuais. “Os eleitores que apoiaram candidatos alternativos migraram majoritariamente para Bolsonaro no segundo turno, e os indecisos também devem apoiá-lo. Uma vantagem expressiva, faltando pouco mais de duas semanas para o fim da campanha, favorece Bolsonaro: quanto mais próxima a votação estiver enquanto ele mantém uma liderança sólida, maiores são suas chances de vitória”, reforçou a análise.
Na avaliação da consultoria, para reduzir essa diferença, Lula precisará conquistar votos de quem apoiou candidatos eliminados e, simultaneamente, reduzir a abstenção — uma combinação improvável, mas não impossível, de acordo com a análise. De acordo com o documento, os eleitores com maior propensão à abstenção representam a última reserva de votos de Lula, mas alcançá-los será difícil, porque o petista precisa de cerca de 62% dos votos dos candidatos eliminados para ultrapassar Bolsonaro, e tirar uma diferença de 2,2 milhões de votos simultaneamente em todas as frentes, “um desafio enorme” em um cenário de que, tradicionalmente, no segundo turno, a taxa de abstenções não cai e ainda pode subir.



