Gravações do operador do ex-banqueiro Daniel Vorcaro geram forte apreensão nos bastidores do PL

As gravações e a proposta de delação premiada do operador do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, geraram forte apreensão nos bastidores do Partido Liberal (PL). O avanço das investigações da PF na Operação Compliance Zero revelou áudios e transações financeiras envolvendo figuras de destaque do partido.

As gravações e a proposta de delação premiada do operador Antônio Carlos Freixo Júnior geraram forte apreensão nos bastidores do Partido Liberal (PL). O avanço das investigações da Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero revelou áudios e transações financeiras envolvendo figuras de destaque do partido.

Os principais fatores que assustam a legenda incluem:

  • Malas de dinheiro e filme sobre Bolsonaro: Na proposta de delação à Procuradoria-Geral da República (PGR), o operador afirmou ter vídeos e provas da entrega de malas de dinheiro para pagar um patrocínio negociado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao filme Dark Horse, documentário sobre Jair Bolsonaro. O dinheiro teria sido enviado a um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado aliado do deputado Eduardo Bolsonaro.

Gravações obtidas pela PF registraram mensagens de voz informais enviadas pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) a Vorcaro. O parlamentar atuou como intermediário para tentar destravar o processo de um “ativo minerário” associado ao seu ex-assessor com a ajuda do banqueiro. Nikolas veio a público admitir o contato, mas negou ter recebido valores ilícitos ou chamado Vorcaro pelo termo íntimo (“lindão”) sugerido nos relatórios.

A preocupação do PL se soma às revelações de que o grupo de Vorcaro (apelidado de “A Turma”) mantinha uma estrutura de milícia privada e contrainteligência. Eles acessavam de forma ilícita sistemas de segurança e dados sigilosos para monitorar autoridades e potenciais desafetos.

O caso escalou para uma crise de grandes proporções em Brasília devido ao potencial das gravações de implicar tanto o PL quanto membros de outros espectros políticos.

Em sua proposta de delação premiada, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior disse à Procuradoria-Geral da República (PGR) ter vídeos que mostram entregas de malas de dinheiro a emissários definidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Conhecido como Mineiro, Freixo é dono da “Entre Investimentos”, empresa usada por Vorcaro em seus esquemas. O empresário fechou um acordo de delação com a PGR, que remeteu o caso para o ministro do STF André Mendonça decidir se homologa ou não.

Na proposta de delação, o empresário admitiu que era o responsável por entregar dinheiro vivo a emissários de Vorcaro. Segundo apurou a coluna, ele chegou a citar um ex-ministro de Jair Bolsonaro como um dos receptores das malas de dinheiro — e disse ter vídeos.

Dark Horse

Na proposta de delação, o empresário admite ter sido o responsável por repassar o dinheiro prometido por Vorcaro ao filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro. O patrocínio foi negociado pelo banqueiro com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Aos investigadores, o empresário afirmou que não sabia o destino efetivo dos recursos que gerou para Vorcaro, entre eles, o endereçado ao filme de Bolsonaro. O dinheiro foi enviado a um fundo nos Estados Unidos gerido por um advogado aliado de Eduardo Bolsonaro.

Um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça deve ouvir o empresário na próxima terça-feira (8/9). O objetivo será questionar se ele fez a delação premiada de forma espontânea — procedimento padrão para acordos de colaboração.