Importante Conselho Regional é denunciado no MPF, TCU [Tribunal de Contas da União] e Conselho Federal…

Era um dia ensolarado no movimentado Largo dos doctors. Nas calçadas e nos corredores suntuosos da autarquia estadual, o clima não era de serenidade clínica, mas de um puro e efervescente melodrama coronelista.

Odorico Paraguaçu, encarnado ali com todo o dom da oratória empolada na figura do gestor Paulo César Kohlrausch, caminhava a passos largos, ajeitando o terno e discursando para os cantos.

— Meus concidadãos, correligionários e caríssimos doutores! — vociferava Paulo César, gesticulando para o nada. — Não nos deixemos levar pela demagogia esquerdistóide ou pelos difamadores de plantão! O que fazemos nesta nobilíssima instituição é a mais pura desburocratização patriótica do bem público! O resto é mero “pragmatismo oposicionista”!

O Conselho, que outrora ostentava a aura de tribunal da ética e da probidade, havia sucumbido ao espírito pitoresco de Sucupira. A política de favorecimentos, portarias extravagantes e jogos de comadre transformara os gabinetes em verdadeiro palco de teatro de revista.

Para cada problema institucional, Paulo César tinha uma solução bem ao estilo do lendário prefeito sucupirano:

— Para que licitação com “complicômetro”, se temos a lídimo-devotada Maciel Engenharia? — bradava ele, ao assinar a Solicitação nº 498. — Uma jovem engenheira de fibra, por mim pessoalmente nomeada em Santa Clara do Sul e com atestado assinado pela minha própria e ilibada mão! Isenção total e impessoalidade acima de tudo!

Quando o assistente técnico, temeroso, sussurrou que a concorrente A1MC Projetos havia oferecido um serviço irretocável, com equipe multidisciplinar sênior e por menos da metade do preço (uma economia de mais de 35 mil reais aos cofres públicos), Paulo César apenas fez um gesto de desprezo com a mão:

— Detalhes pecuniários sem relevância filosófica! Escondam esse papel no fundo da gaveta do esquecimento! O que importa é a parceria, a sinergia, o afeto institucional! Assinem pela bagatela de 62 mil e coloquem no contrato que regemos pela Lei do Inquilinato! Afinal, alugamos a competência alheia!

Enquanto isso, a teia de relações familiares tecia o cotidiano da autarquia. Dolfinho da Central, o zeloso Supervisor da Central de Atendimento, controlava o contrato da terceirizada Wyntech com o olhar atento de quem cuida da própria mesa de almoço de domingo. Afinal, a enteada trabalhava na empresa fiscalizada, e outros parentes preenchiam a folha dos guichês. Tudo em família, como manda a boa tradição do coronelismo de província.

Nos corredores, o burburinho era geral:

— E a secretária da gerência? Criaram o cargo com salário de quase 9 mil reais para atribuições de atender telefone e agendar reunião, e ainda nomearam quem nem tinha o diploma exigido! — cochichavam os servidores concursados.

— E O Profeta do BI? Entrou para assistente técnico e já teve a ascensão divina a “Assessor de Macrogestão e BI” via Função Gratificada! O concurso virou mero detalhe estético!

Mas Paulo César Odorico não se abatia. Do alto da sua tribuna imaginária, ele contemplava o vasto império de processos administrativos, dispensas de licitação e portarias SEI.

— Povo de Sucupira… digo, do CREMERS! — discursava ele ao balcão. — Critica-me a oposição por minúcias burocráticas! Mas eu pergunto: o que é a lei diante do progresso? O que é o edital diante da amizade? Vamos inaugurar a era da eficiência simplificada!

O que Odorico-Paulo César não esperava é que, nos bastidores daquela Sucupira gaúcha,  Funcionários já redigia a pena da história. Com dossiês debaixo do braço, e-mails protocolados e denúncias encaminhadas ao Ministério Público Federal, ao TCU e ao CFM, os “opositores de plantão” preparavam o fim daquele folhetim.

A maquiagem administrativa ruiu, o pano de fundo de Sucupira caiu e a realidade do processo nº 016/2026 bateu à porta. E assim, no palco da vida pública, a comédia coronelista viu seu último ato transformar-se em notícia de fato, sob a rigorosa fiscalização da lei.

O material acima resume episódios reais documentados, como dispensas de licitação questionáveis, contratações direcionadas e desvios em funções comissionadas.

Gostaria de saber se há interesse da sua parte ou do portal Imprensa Livre RS na publicação desses fatos para a classe médica.

Há muitos segredos naquele Conselho, viu?