A Polícia Civil da Bahia apura uma possível manipulação de documentos feitos pela multinacional Mérieux NutriSciences, utilizados na ação civil pública que pede a revogação da licença ambiental do aterro sanitário da Recycle Waste Energy (RWE), concorrente da Battre, empresa do Grupo Solví.
O inquérito instaurado contra empresas da Solví, aponta indícios de falsidade ideológica, violação de domicílio e denunciação caluniosa relacionados à obtenção e utilização de laudos ambientais contra concorrentes.
Como uma das primeiras medidas, a 22ª Delegacia Territorial da Bahia, intimou o presidente da Associação Ação Ambiental, Jadir Silva de Lima, e o biólogo Giuliano Conrad Osório Báo para prestar depoimento.
As oitivas, inicialmente previstas para os dias 9 e 10 de junho, foram remarcadas para o dia 16 a pedido da defesa. Na nova data, ambos compareceram acompanhados de advogado e exerceram o direito constitucional ao silêncio.
No entanto, coincidentemente, na véspera dos depoimentos, em 15 de junho, a Bioagri Laboratórios, empresa do grupo Mérieux NutriSciences, emitiu uma estranha declaração afirmando que houve um “equívoco administrativo” na emissão dos documentos de Cadeia de Custódia referentes à Proposta Comercial de nº 3167/2026.
No documento, a Mérieux sustenta que, embora os formulários tenham sido emitidos em nome da Battre, a verdadeira contratante dos serviços seria a Associação Ação Ambiental e que a identificação da empresa do Grupo Solví decorreu de um “erro administrativo”. A declaração foi anexada à ação civil pública em 17 de junho, um dia após os investigados prestarem depoimento.
Já no dia 3 de julho, a Polícia Civil expediu um ofício à Mérieux requisitando a íntegra da proposta comercial, dos contratos, das ordens de serviço, dos e-mails, entre outros documentos, para verificar quem efetivamente solicitou as análises laboratoriais.
O Grupo Solví atua forte no Rio Grande do Sul na gestão de resíduos e energia verde. Suas principais empresas no estado são a CRVR, a Essencis RS e a Biometano Sul.



