O senador Ciro Nogueira, presidente do PP, e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, reuniram-se em janeiro com o presidente do PT, Edinho Silva, para tratar de cenários regionais e possíveis composições políticas mirando as eleições deste ano. A conversa ocorre num momento em que há uma tentativa de aproximação com a sigla do presidente Lula e uma tentativa de governistas em buscar uma neutralidade dos partidos de centro no pleito nacional.
Segundo relatos de políticos, a discussão teve como foco a situação de palanques estaduais, especialmente em regiões onde há sobreposição de interesses entre partidos que hoje integram campos políticos distintos no plano nacional. Procurados, Edinho, Ciro e Rueda não responderam.
União Brasil e PP devem formar uma federação partidária, que ainda falta ser formalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e que tem sido alvo de investidas de aliados de Lula como do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que será candidato à Presidência.
A tendência hoje é que a federação fique neutra no pleito nacional, liberando os filiados para fazerem alianças regionais com o candidato que for mais conveniente no cenário local. Apesar disso, tanto Lula quanto Flávio buscam atrair setores desses partidos, em busca de fortalecer suas candidaturas.
No caso de Ciro, a interlocução com dirigentes petistas é acompanhada de atenção redobrada por aliados e adversários, uma vez que o senador foi ministro-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL) e mantém posição de destaque na articulação do campo de centro-direita no Congresso. Aliados do presidente do PP minimizam o peso dessa conversa com Edinho afirmando que eles são amigos e costumam conversar frequentemente.
Um parlamentar que acompanha as conversas diz que essa reunião com Edinho também é mais uma sinalização da federação da construção de uma espécie de armistício com o PT e o governo Lula, após a cúpula dos partidos ter anunciado rompimento com a gestão petista no ano passado e elevado o tom das críticas ao governo. Tanto Rueda quanto Ciro, que vinham adotando postura de embate com Lula, passaram a não dirigir críticas públicas ao governo.
No caso do União Brasil, a presença de Rueda na conversa com Edinho reflete a estratégia da legenda de ampliar sua capacidade de negociação regional. Um aliado dele usa como exemplo o caso do Ceará para mostrar essa tentativa de aproximação do partido com o PT. Na semana passada, um jantar em Brasília reuniu o ex-presidenciável Ciro Gomes, Ciro Nogueira, Rueda e políticos do estado para discutir a possibilidade de apoio da federação à candidatura de Gomes ao governo. Esse aliado de Rueda diz que, apesar dos esforços para essa aproximação, nenhum martelo foi batido. Isso porque a candidatura de Elmano de Freitas (PT) tem sinalizado um espaço na chapa majoritária ao União Brasil —numa tentativa de atrair o apoio da federação.



