PF vê falta de interesse técnico em delação de ex-dono do Master

O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, afirmou que, neste momento, “não há interesse técnico” na proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Conforme explicou, para que uma delação seja aceita, é necessário o cumprimento de requisitos legais, inclusive apresentação de provas novas, ainda não obtidas pela investigação. Os advogados do ex-banqueiro tentam avançar em um acordo de colaboração com as autoridades para negociar a redução das penas do cliente, apontado como o mentor de um mega esquema de corrupção.

De fato, não há interesse técnico. Não há elementos jurídicos que autorizem que essa proposta de delação seja validada, porque muitas das coisas que estão sendo contadas já são do nosso conhecimento“, disse Andrei, em café com jornalistas, na sede da Polícia Federal na manhã de ontem. O diretor-geral da corporação explicou que, de uma maneira geral, válidos para todos os casos, a delação premiada, de acordo com previsto em lei, é um direito do réu. Se forem apresentados elementos importantes para a investigação, as negociações são abertas.

O instituto da delação tem previsão legal e é um direito da defesa. Não é o fato de a polícia querer, de a polícia não querer. Isso eu falo da nossa gestão, da nossa equipe. Nós temos muitos elementos já conectados na investigação. A delação tem requisitos previstos que têm que trazer acréscimo, geração de provas, algo que ainda não temos. Tem que ver o que tem de novo para trazer. É um processo e é um direito do investigado“, destacou.

As propostas de delação de Vorcaro foram rejeitadas duas vezes pelos investigadores da PF. A avaliação é de que ele não está contando tudo que sabe e não está trazendo elementos relevantes, além dos que já foram acessados pelas fases da Operação Compliance Zero. A corporação teve acesso a sete celulares do ex-banqueiro. Isso e outros elementos já colhidos geraram evidências de como ocorriam as fraudes, quem são as pessoas envolvidas e a metodologia criminosa dos integrantes do grupo montado para operacionalizar o esquema.

A PF espera concluir nos próximos dias os primeiros relatórios do caso Master. A corporação dividiu a investigação da Compliance Zero em diversas partes para facilitar a fluidez das diligências. Os primeiros relatórios serão enviados ao STF  ainda este mês. No entanto, outras diligências continuarão em andamento, inclusive a apuração relacionada aos recursos enviados ao filme Dark Horse, que conta a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A PF tem atuado de forma correta. A PF é uma Polícia de Estado sob o comando do delegado Andrei Rodrigues.