Gabriel Souza (MDB) apresenta proposta e defende experiência para governar o Rio Grande do Sul

Na manhã deste domingo (13), a Rádio Uirapuru (de Passo Fundo) realizou a primeira entrevista com candidato ao governo do estado. O primeiro a ser sabatinado foi Gabriel Souza, do MDB. As entrevistas fazem parte da iniciativa do Grupo Uirapuru de aproximar os candidatos dos ouvintes, possibilitando espaço para que apresentem suas propostas. As entrevistas acontecem em horários flexíveis, conforme a disponibilidade de agenda dos candidatos. Além destas, durante o Repórter do Povo, de segunda a sexta-feira, estão sendo entrevistados os candidatos de Passo Fundo, em uma rodada que já ouviu todos os postulantes à Assembleia Legislativa e, durante esta semana, encerra as entrevistas com os pretendentes a uma vaga na Câmara Federal.

Na entrevista deste domingo, Gabriel Souza apresentou sua trajetória política como um dos argumentos para defender sua candidatura. Médico veterinário, foi deputado estadual, líder do governo na Assembleia Legislativa e presidente do Parlamento gaúcho durante a pandemia. Como vice-governador, destacou a participação na coordenação de programas estaduais e dos gabinetes de crise durante as enchentes.

Questionado sobre como será sua atuação, caso eleito, afirmou que não pretende fazer uma terceira edição da atual administração, mas uma nova. “Eu não quero fazer um terceiro governo atual, uma terceira edição do governo Eduardo Leite. Eu quero fazer a primeira edição do governo Gabriel Souza”, declarou.

Neste sentido, candidato argumentou que prevê como sua primeira ação, se eleito, será a destinação de recursos para o SUS gaúcho. “No dia 5 de janeiro de 2027, eu quero assumir como governador do Estado, do Rio Grande do Sul. Minha primeira ação, já vai estar pronto o decreto que vou assinar, determinando colocar mais recursos no SUS gaúcho”, afirmou.

Creches e ensino médio técnico

Entre as propostas, Gabriel destacou a criação de um programa estadual de apoio aos municípios para ampliar em 35 mil o número de vagas em creches. O investimento previsto é de R$ 50 milhões por ano, chegando a R$ 200 milhões durante quatro anos. Conforme explicou, o Estado participaria do custeio das vagas abertas pelos municípios, arcando com aproximadamente 30% do valor. Na educação, outra meta apresentada é abrir 80 mil novas vagas no ensino técnico. A ideia vem de iniciativa que, segundo ele, já começou a ser implantada no RS. “Nós começamos com 18 escolas de ensino médio em tempo integral no estado. No nosso atual governo, em 2023 agora, foi três anos atrás. Estamos em 432, aqui em Passo Fundo, inclusive, com escolas de ensino médio em tempo integral. Parte delas seria ofertada junto ao ensino médio em tempo integral e outra por meio da compra de vagas no Sistema S e em universidades”, explicou. Os cursos, segundo Gabriel Souza, deverão considerar as demandas econômicas de cada região, abrangendo áreas como biocombustíveis, inteligência artificial, logística, turismo, agroindústria e energias renováveis.

O estudante sai do médio com profissão”, resumiu. Para financiar a expansão, pretende utilizar recursos decorrentes do Propag, programa de renegociação das dívidas dos estados com a União.

Saúde

Gabriel Souza afirmou que seu primeiro ato como governador, caso eleito, será ampliar os recursos destinados ao SUS gaúcho. A proposta é acrescentar R$ 5 bilhões à saúde durante os quatro anos de mandato, utilizando recursos previstos no aumento progressivo dos investimentos estaduais na área. “É evidente que tem fila, porque quanto mais pacientes o hospital atende, mais prejuízo ele tem, porque é subfinanciado. Então o que eu quero fazer é colocar mais 5 bilhões de reais na saúde durante os próximos 4 anos”, pontuou. O candidato também defendeu a continuidade da regionalização dos serviços, aumentando a capacidade dos hospitais para que os pacientes possam receber atendimento mais próximo de onde vivem.

Ao abordar Passo Fundo, destacou a estrutura hospitalar existente no município e a condição da cidade como referência em procedimentos de alta complexidade. Segundo o candidato, ampliar a capacidade de atendimento de média complexidade na região também é necessário para evitar a sobrecarga das estruturas destinadas aos casos mais complexos.

Infraestrutura e concessões

As concessões à iniciativa privada ocuparam parte significativa da entrevista. Gabriel afirmou defender o que chama de “Estado necessário”, presente e fortalecido em áreas como saúde, educação e segurança pública, mas aberto à participação privada onde considera que ela pode ampliar investimentos e melhorar a eficiência. Como exemplo, citou a concessão do Aeroporto de Passo Fundo e os investimentos previstos para ampliação da pista e da estrutura.

Gabriel Souza defendeu que, caso a questão permaneça para o próximo governo, seja novamente discutida com a sociedade. Para ele, entretanto, investimentos de grande porte nas rodovias dependerão da participação da iniciativa privada. Segundo o candidato, estão previstos aproximadamente 180 quilômetros de duplicações entre Erechim e Cruzeiro do Sul, além de intervenções como o Anel Rodoviário de Passo Fundo e contorno urbano em Vila Maria. “Essas obras, para que aconteçam, saiam do papel, só com recurso privado”, afirmou, argumentando que o Estado não teria capacidade financeira para executar sozinho o volume de investimentos necessário.

Segurança pública

Na segurança, Gabriel souza destacou a redução dos homicídios nos últimos anos e apontou o combate ao feminicídio como uma das prioridades para um eventual governo. A proposta apresentada está estruturada em três eixos: educação, fortalecimento da rede de proteção às mulheres e monitoramento dos agressores.

Atualmente, conforme relatou, 1,3 mil agressores e igual número de mulheres são acompanhados por um sistema que utiliza tornozeleiras eletrônicas e dispositivos com GPS. Quando agressor e vítima se aproximam, equipes de segurança são acionadas. Gabriel afirmou que nenhuma mulher incluída no programa desde 2023 foi vítima de feminicídio e pretende ampliar o monitoramento para 3 mil casos. “As mulheres gaúchas têm que sentir seguras de eventualmente sair daquela situação tóxica do seu relacionamento para ir para lugares dignos que ofertem segurança a ela e seus filhos. E muitas vezes isso não acontece. Então uma rede de proteção às mulheres, que inclua essa questão do abrigamento, do empoderamento feminino”, argumentou.

Outra proposta é integrar ao modelo de análise de risco informações hoje existentes em diferentes áreas. Dados provenientes de atendimentos na saúde, escolas e assistência social poderiam, segundo ele, ajudar a identificar previamente mulheres em situação de violência e permitir uma atuação antecipada da rede de proteção.

Agricultura e irrigação

Gabriel Souza também apresentou propostas voltadas ao agronegócio, relacionando as dificuldades de crescimento econômico do Rio Grande do Sul às sucessivas estiagens. Uma das metas é ampliar em um milhão de hectares a área irrigada no Estado. Para isso, pretende ampliar programas já existentes de incentivo à irrigação, infraestrutura de energia no meio rural e manejo do solo. A fonte de recursos indicada pelo candidato é uma eventual prorrogação do Funrigs, atualmente utilizado para financiar ações de reconstrução após as enchentes.

Além da irrigação, defendeu ações de conservação do solo, com terraciamento e descompactação, como forma de aumentar a capacidade de retenção de água e reduzir os impactos tanto das estiagens quanto do excesso de chuvas.

Ao encerrar a entrevista, o candidato voltou a defender sua experiência administrativa como diferencial e afirmou que pretende manter programas que considera positivos, ao mesmo tempo em que amplia políticas públicas. “O que eu quero é daqui para mais, é daqui para melhor”, resumiu.

Fonte: Rádio Uirapuru – Passo Fundo